|
|
Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008
Em uma tarde qualquer de calor escaldante único estava eu sentando num banco de praça enquanto observava as coisas acontecerem... Devagar, pois o calor estava insuportavelmente difícil de tolerar. Então eu, à sombra de uma bela e frondosa árvore, degustava uma saborosa cerveja. As pessoas passavam pela calçada e me olhavam com seus olhos de pedintes e morrendo de vontade de sentarem-se ao meu lado para dar uma bicada na minha cerveja. Eu, logicamente, nem dava bola para essa gente, pois simplesmente não gosto de sofrimentos.
Lá pelas tantas um sujeito com a cara engraçada e usando um chapéu não menos engraçado que seu rosto sentou-se no banco ao lado do meu. Bom, até aí sem problemas, afinal de contas, bancos de praças são feitos justamente para este fim, ou seja, sentar. Contudo, o talzinho não parava de olhar para mim. Provavelmente também queria um pouco da minha cerveja, pensei. Mas resolvi dar continuidade aos meus afazeres, que era de ficar tranqüilo no banco, observar os transeuntes que passavam com seus olhos estalados para mim, e claro, apreciar categoricamente minha cerveja.
O tempo se passou e meu vizinho de banco, cansado de me olhar, resolveu me importunar com sua tola curiosidade. Então falou e falou e falou, mas não respondi absolutamente nada, e isto se deu pelo fato de eu não ter entendido absolutamente nada. Quase tenho a certeza de que o infeliz falava em Iídiche para comigo... Ou talvez em Sânscrito... Sei lá. Bom, de uma coisa eu sei; aquilo tudo me cansou profundamente. No entanto fiquei por ali, mesmo sem entender, só para mostrar minha boa educação, e no primeiro momento que vi oportuno, momento este que foi um simples piscar de olhos, resolvi cair fora daquela chatice toda. A ladainha do sujeito havia me cansado por demais.
Corri o mais que pude para fugir da situação em que me encontrava, e rumei para qualquer lado, pois para mim tanto fazia a direção. Queria apenas sumir de perto do chato. E pensando desta maneira entrei na primeira porta aberta que vi, porta esta que era de um supermercado. Lá me deparei com uma infinidade de coisas interessantes como: televisores, refrigeradores e por aí vai, além, é claro, dos tradicionais produtos de mercado como: alimentos, produtos de limpeza e também, por aí vai. Mas vou contar sobre as coisas interessantes deste novo tipo de loja de departamentos que entrei.
Olhava eu para os grandes televisores a fim de me distrair um pouco com a programação exclusiva que era transmitida via antena parabólica, quando de repente as coisas que iam acontecendo ao meu redor se tornavam cada vez mais estranha aos meus olhos e ouvidos.
-- Muito boa tarde senhor! Gostaria de se assentar em algum sofá para melhor assistir ao televisor? Ah, caso queria algum acepipe para degustar, ou alguma bebida para acompanhar na sua diversão, assim que se decidir por posicionar-se confortavelmente diante do aparelho de tevê, esteja à vontade. No entanto peço, por obséquio, que nos ajude a melhor servi-lo respondendo algumas perguntas de um breve questionário. Disse-me assim um jovem atendente simpático e bem trajado do supermercado do qual eu acabara de entrar.
Coisa difícil de acontecer; tanto eu preencher um questionário elaborado por algum supermercado quanto ver funcionários desta estirpe, ou seja, polido e falando muito bem... Só em sonho isto é possível, pensei. No entanto...
-- O senhor quer que eu faço uma ficha para o senhor possa estar recendo em sua casa um cartão fidelidade de nosso mercado? Veje bem, a nível de vantagem, o senhor só ganha. Quer que eu faço, eu faço, não tem poblema nenhum. Disse-me assim uma baixinha e feiazinha enquanto ficava nas pontas dos pés, e ainda, a me olhar no fundo de meus olhos como que se quisesse ver quem era o morador por detrás daquele mar de pele esparramada e sobrando por todo o rosto. Pronto! O encanto acabou, continuei pensando sem me importar por tais palavras atiradas em mim desta maneira. Que foi que fiz? Oras, apenas o esperado; caí fora de lá quase que imediatamente. Só não saí imediatamente por que tinha de pegar meus sapatos que estavam embaixo de um sofá. Por que eles estavam embaixo de um sofá? Putz; você faz perguntas demasiadamente. Bom, estavam embaixo do sofá pelo fato de que eu tirei uns minutos de sono durante a falação de um apresentador de telejornal que passava no instante que havia entrado no tal do supermercado. Entrada esta decorrente do outro chato que estava na praça momentos antes.
Então, como o sol já havia se enfiado na terra não vi empecilho algum voltar às ruas, pois ser sapecado vivo enquanto caminha por aí é uma coisa pra lá de ruim. Mas acabei por desistir de rodar sem direção, fui é para casa. E assim que cheguei em casa corri para o sofá, estava cansado, queria relaxar e tirar meus sapatos para arejar os pés. Tanto eu quanto eles necessitávamos disto. A Olga não gostou muito do que fiz, pois o cheiro estava forte. Mas teve quem gostou; o cachorro, por exemplo. Lambeu meus dois pés até se cansar. Não sei o que dizer ao certo sobre isto, talvez seja estupidez, por lamber os pés de outro, mas também possa ser um ato de esperteza, pois isto deva ser gostoso de fazer... Um dia vou tentar lamber meus pés, se for gostoso continuarei a fazer, e se não for eu paro... É... É isso.
Aqui estava a baixinha e feiazinha a me perguntar parvoíces. Mas tudo bem, não costumo dar atenção aos parvos.
Mario Bourges 02:22 [+]
|